terça-feira, 2 de março de 2010

Salada de frutas
Juntei do A ao Z
E vi tudo acontecer
As frutas se formaram
Peguei e cortei no meio
As frutas foram cortadas
E as cores foram pintadas

Silêncio

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

-O total silêncio pode ser revelador ou desesperador, concorda com isso?
A sala permaneceu quieta, com um silêncio quase absoluto, cortado por um pequeno ventilador no canto do cômodo que ao ventilar o quarto fazia um barulho forte.
Uma pessoa levanta vagarosamente, caminha por toda a sala e o desliga. Dá um suspiro e retorna ao seu lugar de antes.

-O total silêncio pode ser revelador ou desesperador, concorda com isso?
-E porque pergunta isso?
...Silêncio...
-Por que perguntas isso!?
O silêncio permanece.
-Entendi quer que eu fique aqui perguntando, até eu me desesperar e você confirmar a tua resposta né? Mas tudo bem, eu não vou me submeter a isso.

Após algum tempo a sala permanecia com um silêncio ensurdecedor. Alguém puxa um cigarro do bolso, pega a caixa de fósforos e com cuidado para não quebrar o palito, acende o cigarro. Joga a fumaça ao ar, apreciando cada tragada no cigarro, aproveitando o caminho que a fumaça faz até chegar aos pulmões e ao sair pela tua boca e se espalhar ao ar.
20 minutos depois, uma voz rouca e grossa, parecendo com o de uma pessoa de idade, quebra o silêncio da sala:
- A partir de agora não mais falarei, ficarei mudo por opção, deixarei surdos os que vierem me falar e não proclamarei uma só palavra. Sendo assim deixar-me-ei fazer do silêncio minha revelação e deixando desespero com meu verdadeiro eu. É assim que farei, assim serei e nada me impedirá, agora começo a viver.

A porta foi aberta, algo de lá saiu, apagou a luz e saiu. Deixou pra trás tudo e nada, deixou pra trás o que quis e levou consigo o silêncio que o necessitava.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Curto curtir cercado de caos coletivo.

De Ilhas Vãs ao Mundo

domingo, 27 de dezembro de 2009

Vamos celebrar o célebre estandarte
Vamos celebrar potência de ser
Ficar atordoado com as luzes que se abrem no céu
Celebrar o grande rito de passagem dos índios
Vamos celebrar o grande cajado fincado na terra
Que a faz sangrar e chorar
Vamos ficar estáticos, sempre na inércia do tempo
Iremos sim de navio, levando conosco o balançar
Levaremos também os ditos feitos para o mar
Banharemos-nos nas águas turvas do oceano
Aí sim teremos a quem amar!


Me digas, o que tem de levar?
Levo aqui um coração parado por bater
Levo assim uma lucidez pedinte, mas que não sai pra ver
Trocando os miúdos com os miados e trazendo tudo no embalo
Levo a grande leviandade de levar o leve
E levo também o sábio, pra não levar o velho
E levo tudo que cabe comigo, levando até quem não posso contigo


Celebro o pesar de ter o que não ter
Converso com Czares e vejo o que não crer
Viro, rolo, mexo e peço colo
Duro um segundo e ainda assim não tenho motivo
E olho, olho, e olho, olhando o olho que me fez olhar
Pensando na vida, me fez parar
Paro... Pulo... E permaneço no mesmo lugar
Consigo o sorriso do lindo e me venho sentar
Olho o mundo na tela, me canso e fecho a janela
Agora me tranco sozinho, no mundo que eu posso criar
Agora crio, mato e desfaço e aqui posso trocar


E faço do risco um laço que posso lançar
Coloco mais nada em papel, porque não quero
E nem me sobra tempo e espaço
Só pra continuar o laço
Com a corda, laço mil maravilhas e até uma tal melodia que me faz alegrar
Olhando a bela Maria me fazendo suspirar
Conglomero e aperto até sufocar
E dou um belo sorriso para a dama do roliço
Que não pode mudar


Me faço sem maldade, como quem pede ao padre
Mas não sabe rezar
E continuo nessa dança, pulando feito criança
Só pra a vida alegrar
Mudo tudo, faço prosa, escrevo bossa, mato a rosa
Só pra começar


E com nenhum sentido, coloco pedra
E faço riso pra poder insinuar
Tirando todo o sentido de tudo que é divino
Só pra poder sufocar
Olhando em frente ao passado
Vejo gente, vejo sábio, mas não posso mudar


E assim é o ser, tão sabido e tão bonito
Que nem define ao belo olhar!


Roberto de Campos

sábado, 7 de novembro de 2009

A música tem o poder de revolucionar o ser!
Seja a sua música
Sinta o seu ser
E cante a melodia da sua vida a plenos pulmões
Confira.

O Piano e o Velho

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Para leigos, letárgicos, lúdicos, lamúriosos, loucos e lindos
Também para feios, falhos, fortes, fracos, famintos e familiares
Digo as palavras sem sentido que entram em sua mente sem sentido e saem como um provérbio de sua boca, deixando no ar essa frase:


Em cima do piano tem um copo de veneno, e cabe a nós, bebê-lo ou não.


Sinta o som das palavras em sua boca, repita para afixar em sua mente e pense, pense em algo, apenas pense e deixe soar em sua mente, enquanto sorri.

Conversa de Amigos (Sobre a Morte)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A morte que virá amanhã
Pode ser na mordida da maçã
Morte que me atinge todos os dias
Como antes com tudo que me abatia
Sendo um anjo ou um demônio
Não sei se estou no caminho errôneo
Seguindo o caminho do sonho
Vejo-me agora com um olhar medonho

Morte o que se passa com você?
Porque não nos deixa viver?
Talvez porque não saibamos
Ou talvez porque roubamos
Mas mesmo assim morte
Saiba que temos sorte
Sorte de poder viver livre e tranquilo
E de poder escutar o cantar do grilo

Ó morte que és fascinante
Não necessitas vir tão berrante
Venha com o negro vestido
Ou apenas com o branco amigo
Porque melhor pelas mãos do amigo morrer
Do que pelas mãos do inimigo sofrer
Venha conversar de vez em quando
Para que eu saiba como será o encanto

Venha-me ó morte, quando não tiver sorte
Porque assim posso escapar de ti ó morte
Mas não temo tua foice em meu peito
Apenas que não estejas comigo em meu leito
Que não me traga lugares equidistantes
Apenas apareça como um simples quitante
E me venha com aquele olhar tranquilo
Pra que eu possa ir com as mãos de um amigo