Noites Frias

domingo, 25 de julho de 2010

A noite é fria, é escura
A noite arrepia e faz envolvente
A noite é silenciosa, mas não quieta
A noite é frígida e faz gemidos

Ah! Gemidos! Faz gemidos que acolhem
Acolhe e te faz sentir criança
Fecha os olhos e lembra
Te consome como a um vaga-lume
Que ilumina e apaga, só pra não faltar a luz

Quando a lua transforma e te faz dançar
A dança da noite com seus calafrios
Com suas flores densas e pensamentos arredios
A noite olha e te encara, coloca no muro

No escuro do muro, no alto do claro
Te pega sem avisar e leva à escuridão
Ah! Os gemidos da noite!
Te colocam no ar e sem ar a respirar
Te envolve na dança que nem criança

Que passa a chorar mas depois atenta
E volta a dançar, que nem a noite
Envolvente madrugada dos poucos
São muito os loucos que se atrevem a dançar
E dançam feito criança, escutam gemidos
Parecem aflitos, correndo perigo, mas voltam a dançar

Transparência Leiga

domingo, 28 de março de 2010

Escrever é uma arte?

Se faço poesia, faço arte

Mas se escrevo, faço poesia?

Escrevo para poucos, escrevo para muitos

Se escrevo pouco, escrevo para menos?

Se escrevo textos e paradoxos

Posso eu inventar arte?

Se penso logo existo

E se escrevo logo penso?

E se o pensar me confunde

Então escrevo pra me clarear

Clareio-me tanto que escrevo poesia

E até faço arte

Passo então a ser artista

Mesmo sendo pouco

Torno-me arte

Se faço arte logo faço parte

Parte de tudo um todo

Parte de algo, porém

Algo que agora não sei

Mas ao menos sei

Sei que escrevo e faço parte

Sei que faço arte

Sei que faço o que faço

E escrevo minha arte

Então escrevo minha vida

Fazendo a escrita clara

Tão clara que tão bela

Transpondo o pensamento, livrando cada tormento

Mas se existo logo penso

Penso que existo logo

E logo escrevo o tormento

E clareio-me a arte na vida

Escrevo, escrevo, escrevo

terça-feira, 2 de março de 2010

Salada de frutas
Juntei do A ao Z
E vi tudo acontecer
As frutas se formaram
Peguei e cortei no meio
As frutas foram cortadas
E as cores foram pintadas

Silêncio

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

-O total silêncio pode ser revelador ou desesperador, concorda com isso?
A sala permaneceu quieta, com um silêncio quase absoluto, cortado por um pequeno ventilador no canto do cômodo que ao ventilar o quarto fazia um barulho forte.
Uma pessoa levanta vagarosamente, caminha por toda a sala e o desliga. Dá um suspiro e retorna ao seu lugar de antes.

-O total silêncio pode ser revelador ou desesperador, concorda com isso?
-E porque pergunta isso?
...Silêncio...
-Por que perguntas isso!?
O silêncio permanece.
-Entendi quer que eu fique aqui perguntando, até eu me desesperar e você confirmar a tua resposta né? Mas tudo bem, eu não vou me submeter a isso.

Após algum tempo a sala permanecia com um silêncio ensurdecedor. Alguém puxa um cigarro do bolso, pega a caixa de fósforos e com cuidado para não quebrar o palito, acende o cigarro. Joga a fumaça ao ar, apreciando cada tragada no cigarro, aproveitando o caminho que a fumaça faz até chegar aos pulmões e ao sair pela tua boca e se espalhar ao ar.
20 minutos depois, uma voz rouca e grossa, parecendo com o de uma pessoa de idade, quebra o silêncio da sala:
- A partir de agora não mais falarei, ficarei mudo por opção, deixarei surdos os que vierem me falar e não proclamarei uma só palavra. Sendo assim deixar-me-ei fazer do silêncio minha revelação e deixando desespero com meu verdadeiro eu. É assim que farei, assim serei e nada me impedirá, agora começo a viver.

A porta foi aberta, algo de lá saiu, apagou a luz e saiu. Deixou pra trás tudo e nada, deixou pra trás o que quis e levou consigo o silêncio que o necessitava.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Curto curtir cercado de caos coletivo.

De Ilhas Vãs ao Mundo

domingo, 27 de dezembro de 2009

Vamos celebrar o célebre estandarte
Vamos celebrar potência de ser
Ficar atordoado com as luzes que se abrem no céu
Celebrar o grande rito de passagem dos índios
Vamos celebrar o grande cajado fincado na terra
Que a faz sangrar e chorar
Vamos ficar estáticos, sempre na inércia do tempo
Iremos sim de navio, levando conosco o balançar
Levaremos também os ditos feitos para o mar
Banharemos-nos nas águas turvas do oceano
Aí sim teremos a quem amar!


Me digas, o que tem de levar?
Levo aqui um coração parado por bater
Levo assim uma lucidez pedinte, mas que não sai pra ver
Trocando os miúdos com os miados e trazendo tudo no embalo
Levo a grande leviandade de levar o leve
E levo também o sábio, pra não levar o velho
E levo tudo que cabe comigo, levando até quem não posso contigo


Celebro o pesar de ter o que não ter
Converso com Czares e vejo o que não crer
Viro, rolo, mexo e peço colo
Duro um segundo e ainda assim não tenho motivo
E olho, olho, e olho, olhando o olho que me fez olhar
Pensando na vida, me fez parar
Paro... Pulo... E permaneço no mesmo lugar
Consigo o sorriso do lindo e me venho sentar
Olho o mundo na tela, me canso e fecho a janela
Agora me tranco sozinho, no mundo que eu posso criar
Agora crio, mato e desfaço e aqui posso trocar


E faço do risco um laço que posso lançar
Coloco mais nada em papel, porque não quero
E nem me sobra tempo e espaço
Só pra continuar o laço
Com a corda, laço mil maravilhas e até uma tal melodia que me faz alegrar
Olhando a bela Maria me fazendo suspirar
Conglomero e aperto até sufocar
E dou um belo sorriso para a dama do roliço
Que não pode mudar


Me faço sem maldade, como quem pede ao padre
Mas não sabe rezar
E continuo nessa dança, pulando feito criança
Só pra a vida alegrar
Mudo tudo, faço prosa, escrevo bossa, mato a rosa
Só pra começar


E com nenhum sentido, coloco pedra
E faço riso pra poder insinuar
Tirando todo o sentido de tudo que é divino
Só pra poder sufocar
Olhando em frente ao passado
Vejo gente, vejo sábio, mas não posso mudar


E assim é o ser, tão sabido e tão bonito
Que nem define ao belo olhar!


Roberto de Campos

sábado, 7 de novembro de 2009

A música tem o poder de revolucionar o ser!
Seja a sua música
Sinta o seu ser
E cante a melodia da sua vida a plenos pulmões
Confira.