Feliz Natal

domingo, 8 de agosto de 2010

Na maternidade doeu o coração
O filho perdido, sem irmão
O cheiro do cigarro
Me lembra o desespero paterno
Era um lindo garoto
Que naquele berço ficou
E de lá ninquém mais viu
Foi-se embora

Lágrimas de uma senhora
Me fizeram chorar
Eu muito novo, fui embora

Só ví o sol raiar melancólico
Uma cara pálida
O sorriso sólido
Que me passava segurança
Aquela criança
Agora descansava
E agora sempre se alegrava

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Perdi meu isqueiro
Agora não acendo o cigarro
Mas disso não preciso mais
Já tenho teu afágo

Cama e Afetos

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Menina bonita dos olhos fartos
Seios à mostra
Me geme ao ouvido
Faz ruídos
Que é pra chamar atenção
Chame-me pra cama
Que eu vou, cheio de paixão
Por debaixo das cobertas há um mundo a ser descoberto
Rasgam-se as colchas, façamos um país de suor
Marca-me o corpo, rasga-me a carne
Esquento teu corpo junto ao meu
Faço dele meu, por um instante apenas um
Suspira-me a dor do prazer
Junte comigo na dança do prazer
Vamos até o amanhecer
E vamos juntos onde quisermos
Pois ninguém pode nos alcançar
Não onde ninguém sabe como chegar
Então venha comigo
Mergulhe nesses lençóis
E vamos ao embarque
Da nave que parte
E não tem direção e nem chegada
Apenas uma grande e suntuosa viagem
Sem tempo nem direção
Vamos nos sentir
Até apenas sentir o som do coração

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Praia, samba, carnaval e futebol!
Exalta, exalta!
Mas se tudo fosse verdade
O ano inteiro dava sol

Noites Frias

domingo, 25 de julho de 2010

A noite é fria, é escura
A noite arrepia e faz envolvente
A noite é silenciosa, mas não quieta
A noite é frígida e faz gemidos

Ah! Gemidos! Faz gemidos que acolhem
Acolhe e te faz sentir criança
Fecha os olhos e lembra
Te consome como a um vaga-lume
Que ilumina e apaga, só pra não faltar a luz

Quando a lua transforma e te faz dançar
A dança da noite com seus calafrios
Com suas flores densas e pensamentos arredios
A noite olha e te encara, coloca no muro

No escuro do muro, no alto do claro
Te pega sem avisar e leva à escuridão
Ah! Os gemidos da noite!
Te colocam no ar e sem ar a respirar
Te envolve na dança que nem criança

Que passa a chorar mas depois atenta
E volta a dançar, que nem a noite
Envolvente madrugada dos poucos
São muito os loucos que se atrevem a dançar
E dançam feito criança, escutam gemidos
Parecem aflitos, correndo perigo, mas voltam a dançar

Transparência Leiga

domingo, 28 de março de 2010

Escrever é uma arte?

Se faço poesia, faço arte

Mas se escrevo, faço poesia?

Escrevo para poucos, escrevo para muitos

Se escrevo pouco, escrevo para menos?

Se escrevo textos e paradoxos

Posso eu inventar arte?

Se penso logo existo

E se escrevo logo penso?

E se o pensar me confunde

Então escrevo pra me clarear

Clareio-me tanto que escrevo poesia

E até faço arte

Passo então a ser artista

Mesmo sendo pouco

Torno-me arte

Se faço arte logo faço parte

Parte de tudo um todo

Parte de algo, porém

Algo que agora não sei

Mas ao menos sei

Sei que escrevo e faço parte

Sei que faço arte

Sei que faço o que faço

E escrevo minha arte

Então escrevo minha vida

Fazendo a escrita clara

Tão clara que tão bela

Transpondo o pensamento, livrando cada tormento

Mas se existo logo penso

Penso que existo logo

E logo escrevo o tormento

E clareio-me a arte na vida

Escrevo, escrevo, escrevo

terça-feira, 2 de março de 2010

Salada de frutas
Juntei do A ao Z
E vi tudo acontecer
As frutas se formaram
Peguei e cortei no meio
As frutas foram cortadas
E as cores foram pintadas